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“Gustavo sempre foi um cara de humor impressionante. Brincava com todos, ajudou a apelidar toda uma turma (no primeiro período da UFPB todos tinham um apelido graças a ele), e era sempre muito alegre. Além da alegria, ele sempre trazia consigo uma força muito grande pra lutar. Força e inteligência. O cara era simplesmente um dos mais inteligentes e trabalhadores que eu conheci. E o que mais marcante ele deixou pra mim foi que ele foi sempre assim, mesmo sofrendo bastante com uma doença que lhe fez tanto mal. Mas mesmo sofrendo ele batalhou por sua vida até que sua hora chegou. Sempre vou lembrar dele como um cara que não podia ser comparado a ninguém. Vai com Deus, Gustavo!” (Sebastião Rabelo) “Quando conheci Gustavo, ele já fazia uns check-ups de 6 em 6 meses porque já havia tido problemas sérios de saúde. Eu não conseguia entender como uma pessoa poderia ser tão forte como ele. Passar por isso tudo e ainda conseguir ser aprovado no vestibular da UFPB, do CEFET e de onde mais fizesse. Para ele, era como se o tratamento de suas enfermidades fosse uma coisa a mais, rotineira, comum, que ele tinha que fazer. No começo, ele passava por várias cirurgias e eu nem ficava sabendo. E quando sabia, aparentava que ele não tinha feito nada. Ele continuou saindo com os amigos normalmente, fazendo brincadeiras, sendo bem sucedido academicamente, praticando atividades físicas, tendo uma vida totalmente normal. Uma vez tive um problema de saúde grave e, depois que me recuperei, ele me disse que achava que eu iria morrer, mas ainda bem que tinha dado tudo certo. Fiquei por um bom tempo sem entender por que logo ele tinha pensado isso, mas depois percebi que ele era uma pessoa muito sincera e realista, e estava sempre ciente dos riscos. Ele era muito corajoso e enfrentava tudo sempre pensando “matematicamente” nas possibilidades. Uma coisa que nunca vou me esquecer é que, apesar de tudo, sempre que eu perguntava como ele estava, ele me dizia que estava bem. Nos últimos meses, a coisa mudou, e ele me disse que estava mal. O sofrimento dele era muito grande e isso era passado a todos os amigos. Todos nós queríamos muito que ele melhorasse e parasse de sentir dor. Eu rezava todas as noites por ele. Para que ele melhorasse e parasse de sentir dor. E no dia do meu aniversário, ele faleceu. Logo de cara, ao saber da notícia, fiquei muito triste. Mas, agora, vejo isso como um presente de Deus. A vontade d’Ele deve ser feita acima de tudo e, querendo ou não, Gustavo está bem melhor agora. Vou sentir muitas saudades, meu grande amigo, mas graças a Deus o sofrimento acabou. Gustavo, descanse em paz.” Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=KxHGwAOgVvE (Adriana Esmeraldo / Drill) Não me recordo de ter presenciado Gustavo irritado com algo - apreensivo sim, irritado não. E, junto com qualquer outro depoimento, isso deixa clara a sua força. Além disto, a quantidade de amigos evidencia seu carisma. Tudo isto sem contar sua inteligência e sua garra para o trabalho. Às vezes me lembro de um período em que precisamos trabalhar cerca de um mês quase ininterruptamente, e quando o stress tentava dominar, ele era quase uma fonte de ânimo. Quando soube de seu problema pela primeira vez, a preocupação perdurou por um tempo, mas quando o via, era como se estivesse tudo bem. Nos últimos tempos, eu orava quase todo dia pela sua recuperação. Queria ter podido visitá-lo, mas a distância e o trabalho impediam. A contar por quem ele era e pelo que passou, creio que ele está em boas Mãos agora. Descanse em paz! (Michael Shuenck) Quando estamos casualmente na praia de pé olhando para o mar, sempre uma pequena onda se forma, e em questões de segundos, a onda cresce e tem visível sua potência, neste momento, a onda é bonita, encanta e cativa a pessoa que a vê surgindo em uma forma extremamente única, já que nunca uma onda é igual a qualquer outra. Segundos depois, a onda perde sua forma rapidamente e chega à costa praticamente sem força, molhando nossos pés, mas nos dando uma sensação de contentamento e felicidade. Apesar disso, o registro da onda em sua melhor e potente forma está nas nossas memórias, de forma que jamais nos esqueceremos de tê-la visto. Na formação daquela onda, por mais curta que seja em tempo real, na nossa mente se torna eterna. Gustavo Cavalcanti foi uma onda nesta vida, sempre deixando alegria e felicidade por onde passava, mas que infelizmente agora nos deixa eternas lembranças, onde quer que você esteja. Como lição, você me fez aprender que na verdade, a vida passa na velocidade de uma pequena onda que se forma no mar, logo, temos que aproveitar cada segundo da melhor, feliz e sadia forma possível. (Talles Brito) Não é fácil definir Gustavo, mas Carlos Drummond de Andrade consegue. PRECISA-SE DE UM AMIGO Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos. Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão. Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar. Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados). Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer. Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo. Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos. E seu principal objetivo de ser o de ser amigo. Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo. Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo. Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Gustavo é o amigo que sempre irá viver dentro dos nossos corações.
(João Paulo F. de Oliveira) |